Em um instante me dou conta do que fiz, não estou nem um pouquinho polido. Na verdade, estou abertamente furioso.
O Sr. Jae-Sang olha pra mim por cima da armação de seu óculos.
- Desculpe. Você gostaria que eu repetisse ?
- Si... Sim. = Gaguejo.
Passo os olhos de um membro da família para o outro, na esperança de ver alguma demonstração de apoio. Os olhos de Suga me oferecem empatia, mas Jimin nem consegue me olhar. Ele está rabiscando algo em seu bloco de notas.
O Sr. Jae-Sang se inclina em minha direção e fala deliberadamente, como se eu fosse sua avó velha e enferma:
- As ações de sua mãe da empresa vão para seu irmão, Jimin = Ele estende o documento para que eu o veja. - Cada um de vocês recebera uma cópia do testamento, mas se sintam à vontade para ler o meu agora.
Franzo a testa e o dispenso com um aceno, fazendo a droga do meu melhor para tentar respirar.
- Não, obrigado. = Consigo dizer - Prossiga, por favor. Me desculpe.
Eu me a jeito na cadeira com uma postura relaxada e mordo o lábio para impedi-lo de tremer. Deve ser um erro. Eu... Eu tenho lutado tanto. Queria deixar minha mãe orgulhosa de mim.
- Com isso, encerramos esta parte do processo = Ele nos informa. - Tenho apenas uma questão particular para tratar com o Hoseok = Ele olha pra mim. - Você tem tempo agora ou devemos marcar outro dia ?
Estou perdido em meio a um nevoeiro, lutando para achar a saída.
- Pode ser hoje = Falo constrangido.
- Certo, então. = Ele olha atentamente para cada um que está à mesa. - Alguma pergunta antes de encerrarmos ?
- Está tudo certo para nós. = Diz Suga. Ele se levanta da cadeira e procura a porta como um prisioneiro tentando fugir da cela.
Jimin se apressa ao Sr. Jae-Sang, cheio de gratidão. Ele olha de relance para mim, mas rapidamente desvia o olhar. Sem sombra de dúvida, meu irmão está constrangido com a situação. E eu sinto náuseas.
Um por um, meus irmãos se despedem do Sr. Jae-Sang enquanto eu fico sentado na minha cadeira, em silêncio como um aluno indisciplinado obrigado a ficar na classe depois da aula. Jae-Sang fecha a porta assim que eles saem. Paira um silêncio tão grande na sala que posso o som sussurrado de meu sangue subindo em ritmo acelerado até as têmporas de meu rosto. Jae-Sang volta para seu assento na cabeceira da mesa, de maneira que podemos nos ver sem dificuldade. O rosto dele é suave e os olhos castanhos são incongruentes, mas de um modo agradável, com suas feições angulosas.
- Você está bem ? = Ele me pergunta, como se realmente desejasse ouvir uma resposta. Devemos estar lhe pagando por hora.
- Estou bem = Respondo.
Pobre, sem mãe e humilhado, mas bem. Muito bem.
- Sua mãe ficou preocupada que hoje pudesse ser especialmente difícil para você.
- É mesmo ? = Digo com uma risada um pouco amarga. - Ela achou que eu poderia ficar chateado de ter sido excluído do testamento ?
Ele afaga minha mão de leve.
- Isso não é totalmente verdade.
- O filho caçula dela, e não fico com nada. Nada. Nem mesmo um móvel como prêmio de consolação. Eu sou filho dela, droga !
Puxo a mão da dele e a enterro no colo. Abaixo o olhar para a pulseira em meu pulso que minha mãe havia me dado.
- Sei o que você está pensando. Você acha que sou egoísta e mimado. Acha que isso tem haver com dinheiro ou poder. = Minha garganta fica apertada. - Mas, ontem, tudo o que eu queria era a cama dela. Isso mesmo. Só queria aquela antiga... = Esfrego a garganta na esperança de desfazer o nó que se forma ali. - Cama... Para que eu pudesse ficar ali e sentir a presença dela...
Para meu horror, começo a chorar. Um choro fraco, a princípio, mas que dá lugar a soluços tempestuosos e disformes. O Sr. Jae-Sang corre até sua escrivaninha em busca de lenços de papel. Ele me entrega um deles e afaga minhas costas enquanto luto para recuperar a compostura.
- Sinto muito = Eu digo, com uma voz baixa e rouca. - Isso tudo... É difícil para mim.
- Eu entendo. = A sombra que passa por seu rosto me faz pensar que ele pode realmente entender a minha situação.
Seco os olhos com batidinhas leves do lenço de papel.
Respira fundo. Agora, de novo.
- Tudo bem = Digo, oscilando na margem da compostura. - Você disse que tínhamos negócios para discutir.
Ele puxa um arquivo com papéis de dentro de uma pasta de couro e o coloca na mesa à minha frente.
- Sua mãe pensou em algo diferente para você.
Ele abre o arquivo e me entrega um pedaço de papel, uma folha de caderno amarelada. Fico com os olhos grudados nela. Um mosaico enrugado no papel revela que já foi uma bola amassada bem firme e pequena.
- O que é isso ?
- É uma lista de sonhos = Ele me diz. - A sua lista de sonhos.
Preciso de vários segundos para reconhecer que a letra é realmente minha. Minha floreada caligrafia aos seis anos de idade. Aparentemente eu fiz uma lista de sonhos, embora eu não tenha mais nenhuma lembrança dela. Dou uma olhada na lista e vejo, ao lado de algumas metas, comentários escritos à mão por minha mãe.
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